Estava ensolarado, eu confesso. Porém, ela era fria, gélida e encantadoramente fascinante e me convidava a experimenta-la . Cinco de meus sentidos foram tomados pela beleza de seu canto, estremecia-me, atordoava-me, seduzia-me de modo que não fui capaz de me conter e fui ao seu encontro. Sentei-me um pouco distante e pude apenas ouvir sussurros muito rápidos, contidos e constantes. Respirei fundo, senti-me uno a ela e pude entender a sua mensagem; ela era persistente, corajosa e de uma sincronicidade e imensidão, que embora tendo a visto em outras épocas, nunca até então havia notado o quão profunda ela era. Aproximei-me um pouco mais e notei sua cor, ela era de tom marrom, um pouco avermelhada, muitos seres a parasitavam e ela não se importava em recebê-los. Atrevi-me, educadamente inseri a ponta de meus pés em seu íntimo e fui repelida pela impotência de quem sou; ainda não estava preparada para experimenta-la e então decidi que naquele dia, eu iria somente observa-la, ouvi-la e admira-la. Permaneci com ela até que o sol se pusesse e eu pudesse contemplar ao menos o meio ciclo, eu estava fascinada pela maneira de como sua presença era respeitada por todos, até pelas estrelas - que a usavam de espelho durante a noite.
...Continua.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
O limiar da existência
Escrever é ter o que dizer, já dizia Darcy Ribeiro. E quando o dizer se torna insuficiente? É aí que eu aprendi que emoções não são descritivas, elas simplesmente são. É comum vivenciar momentos e não saber dizê-los com propriedade, você não diz, você sente.
E, o que é sentir? Segundo o dicionário Aurélio, sentir é: ter sensações, receber impressões por qualquer um dos sentidos, sentir frio, cheiros, calor. Perceber, conceber. Ser afetado por sofrer: sentir dor de cabeça. Pressentir, adivinhar, intuir. Ter consciência de, compreender, lamentar, apreciar. Sentir falta de, carecer, lastimar a ausência de... Ter sensibilidade, ter consciência do próprio estado físico ou moral. Magoar-se melindrar-se, ofender-se, imaginar-se, julgar-se: sentir-se capaz de grandes coisas
É impossível viver sem sentir, e por mais que achemos que sentir é bobagem, e que somos mais evoluídos, afinal, não somos pós realistas, modernos? Há muito vivemos aos extremos, hoje sabemos que precisamos nos unir e não nos fragmentar; somos um todo, sentidos e razão.
Ao passo que evoluímos, aprendemos que não somos separados, nem internamente e nem externamente; não podemos viver em plenitude sozinhos. Não estamos separados, não existe fora e nem dentro, tudo é o uno. Unir-se ao universo exige uma prática de introspecção profunda, perceber-se talvez exija muito mais do que uma vida. Eis então o nosso desafio: Olhar para dentro. E isso, nunca foi tão difícil.
sábado, 27 de julho de 2013
Sobre o Perdão
Existem muitos meios e proporções como os quais se perdoa uma pessoa, uma comunidade, uma nação por uma ofensa. É importante lembrar que um perdão "final", não é uma capitulação. É uma decisão consciente de deixar de abrigar ressentimento, o que inclui o perdão da ofensa e a desistência da determinação de retaliar. É você quem decide quando perdoar e o ritual a ser usado para assinalar esse evento. É você quem resolve qual é a dívida que você agora afirma não precisar ser paga.
Algumas pessoas optam pelo perdão total: liberando a pessoa de qualquer tipo de reparação no meio, abandonando a dívida, alegando que o que está feito está feito e que a compensação já é suficiente. Outro tipo de perdão consiste em isentar a pessoa sem que ela tenha feito qualquer reparação emocional ou de outra natureza.
Para certas pessoas, finalizar o perdão significa considerar o outro com indulgência, e isso é o mais fácil quando as ofensas relativamente leves. Uma das formas mais profundas se perdão está em dar ajuda compassiva ao ofensor por um outro meio. Isso não quer dizer que você deva enfiar a cabeça no ninho da cobra, mas, sim ser sensível a partir de uma postura de compaixão, segurança e preparo.
O perdão é onde vão culminar roda a abstenção, o controle e o esquecimento. Não significa abdicar da própria proteção, mas da própria frieza. Uma forma profunda de perdão consiste em deixar de excluir o outro, o que significa deixar de mantê-lo à distância, de ignorá-lo, de agir com frieza, condescendência e falsidade. É melhor para a psique da alma restringir ao máximo o tempo dde exposição às pessoas que são difíceis para você do que agir como um robô insensível.
O perdão é um ato de criação. Você pode escolher entre muitas formas de proceder. Você pode perdoar por enquanto, perdoar até que, perdoar até a próxima vez, perdoar mais não dar outra chance - começa tudo de novo se acontecer outro incidente. Você pode dar só mais uma chance, dar mais algumas chances, dar muitas chances, dar chances só se... Você pode perdoar uma ofensa em parte, pela metade ou totalmente.Você pode imaginar um perdão abrangente. Você decide.
Como você sabe que perdoou? Você passa a sentir tristeza a respeito da circunstância, em vez de raiva. Você passa a sentir pena da pessoa em vez de irritação. Você passa a não se lembrar de mais nadaa respeito daquilo tudo. Você compreende o sofrimento que provocou a ofensa. Você prefere se manter fora daquele meio. Você não espera por nada. Não há no seu tornozelo nenhuma armadilha de laço que se estende desde lá longe até aqui. Você está livre para ir e vir. Pode ser que tudo não tenha acabado em " viveram felizes para sempre", mas sem a menor dúvida existe de hoje em diante um novo " Era uma vez" à sua espera.
Mulheres que correm com os lobos - Clarissa Pinkola Estés
Algumas pessoas optam pelo perdão total: liberando a pessoa de qualquer tipo de reparação no meio, abandonando a dívida, alegando que o que está feito está feito e que a compensação já é suficiente. Outro tipo de perdão consiste em isentar a pessoa sem que ela tenha feito qualquer reparação emocional ou de outra natureza.
Para certas pessoas, finalizar o perdão significa considerar o outro com indulgência, e isso é o mais fácil quando as ofensas relativamente leves. Uma das formas mais profundas se perdão está em dar ajuda compassiva ao ofensor por um outro meio. Isso não quer dizer que você deva enfiar a cabeça no ninho da cobra, mas, sim ser sensível a partir de uma postura de compaixão, segurança e preparo.
O perdão é onde vão culminar roda a abstenção, o controle e o esquecimento. Não significa abdicar da própria proteção, mas da própria frieza. Uma forma profunda de perdão consiste em deixar de excluir o outro, o que significa deixar de mantê-lo à distância, de ignorá-lo, de agir com frieza, condescendência e falsidade. É melhor para a psique da alma restringir ao máximo o tempo dde exposição às pessoas que são difíceis para você do que agir como um robô insensível.
O perdão é um ato de criação. Você pode escolher entre muitas formas de proceder. Você pode perdoar por enquanto, perdoar até que, perdoar até a próxima vez, perdoar mais não dar outra chance - começa tudo de novo se acontecer outro incidente. Você pode dar só mais uma chance, dar mais algumas chances, dar muitas chances, dar chances só se... Você pode perdoar uma ofensa em parte, pela metade ou totalmente.Você pode imaginar um perdão abrangente. Você decide.
Como você sabe que perdoou? Você passa a sentir tristeza a respeito da circunstância, em vez de raiva. Você passa a sentir pena da pessoa em vez de irritação. Você passa a não se lembrar de mais nadaa respeito daquilo tudo. Você compreende o sofrimento que provocou a ofensa. Você prefere se manter fora daquele meio. Você não espera por nada. Não há no seu tornozelo nenhuma armadilha de laço que se estende desde lá longe até aqui. Você está livre para ir e vir. Pode ser que tudo não tenha acabado em " viveram felizes para sempre", mas sem a menor dúvida existe de hoje em diante um novo " Era uma vez" à sua espera.
Mulheres que correm com os lobos - Clarissa Pinkola Estés
domingo, 16 de junho de 2013
Palavras
Ah, palavras.. São só palavras.. Que uma a uma dão singelos significados à vida..
Ah, palavras.. São só palavras.. Que juntas formam belas composições à melodia de um cantor..
Por que me traíste, palavras? O que fiz eu para não voltares à mim com a mesma doçura que vos lancei? Por que tu sumistes de mim?
Palavras, me perdoem. Sei que em alguns momentos vos deixei, julgava mal o vosso valor; pensei que não fostes tão necessária à minha vida, eu sei. Eu errei em vos desprezar, afinal, se fostes usadas corretamente e em tempo, meu coração hoje seria um grande jardim florido..
Ah, querida.. Quero em tempo cumprimenta-la: já ouvi as vossas sete integrantes mágicas algumas vezes, e elas são imensuravelmente extraordinárias!
Não me deixes caminhar em sequidão, me guie com doçura e sabedoria para que eu possa vos ouvir e me alegrar..
Me despeço por hoje, o sono é um grande cemitério.
domingo, 5 de maio de 2013
Conjugando a insônia
Depois de algum tempo debulhando livros, meus neurônios - que trabalham a todo vapor - não obtiveram descanso, hoje aconteceu o primeiro acesso à insônia do ano. Por muitos anos ela fagocitava e interrompia meus sonhos, geralmente era sinônimo de dor de cabeça no dia seguinte por ter de recuperar as horas inúteis reviradas entre uma ponta a outra da cama. Porém. hoje houve uma imensa vontade de escrever algo inspirador que assim como alguns eclipses, acontecem a cada quinhentos anos. Pois bem, cá estou eu sem assunto para relatar e sem ninguém a quem compartilhar a falta dele.
Sinto em dizer à você caro leitor: perdeu seu tempo lendo essas vãs palavras que tanto rodeiam e nada dizem.
Dê-me uma taça de vinho ou algo que me rubra a face, quem sabe assim também esquento meus pensamentos frívolos de hoje! Dê-me mais horas no meu dia para que assim eu consiga conjugar todos os verbos que me forem necessários à boa escrita - tenho sede de conhecimento.
E assim me despeço desse curto emaranhado de ideias mal escritas e ociosas.
Tenham todos uma "boa noite".
Sinto em dizer à você caro leitor: perdeu seu tempo lendo essas vãs palavras que tanto rodeiam e nada dizem.
Dê-me uma taça de vinho ou algo que me rubra a face, quem sabe assim também esquento meus pensamentos frívolos de hoje! Dê-me mais horas no meu dia para que assim eu consiga conjugar todos os verbos que me forem necessários à boa escrita - tenho sede de conhecimento.
E assim me despeço desse curto emaranhado de ideias mal escritas e ociosas.
Tenham todos uma "boa noite".
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Inquietações
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever (...) A minha vida, a mais verdadeira, é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma palavra que a signifique.
(...) Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados.
(...) Por isso não sei se minha história vai ser o que? Não sei se nada, ainda não me animei a escrevê-la. Terá acontecimentos? Terá. Mas quais?
Também não sei. Não estou tentando criar em vós uma expectativa aflita e voraz: é que realmente não sei o que me espera, tenho um personagem buliçoso nas mãos e que me escapa a cada instante querendo que eu o recupere.
(...) Vejo agora que esqueci de dizer que por enquanto nada leio para não contaminar com luxos a simplicidade de minha linguagem.
Clarice Lispector. A hora da estrela ( Fragmentos)
(...) Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados.
(...) Por isso não sei se minha história vai ser o que? Não sei se nada, ainda não me animei a escrevê-la. Terá acontecimentos? Terá. Mas quais?
Também não sei. Não estou tentando criar em vós uma expectativa aflita e voraz: é que realmente não sei o que me espera, tenho um personagem buliçoso nas mãos e que me escapa a cada instante querendo que eu o recupere.
(...) Vejo agora que esqueci de dizer que por enquanto nada leio para não contaminar com luxos a simplicidade de minha linguagem.
Clarice Lispector. A hora da estrela ( Fragmentos)
Assinar:
Postagens (Atom)