Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever (...) A minha vida, a mais verdadeira, é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma palavra que a signifique.
(...) Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados.
(...) Por isso não sei se minha história vai ser o que? Não sei se nada, ainda não me animei a escrevê-la. Terá acontecimentos? Terá. Mas quais?
Também não sei. Não estou tentando criar em vós uma expectativa aflita e voraz: é que realmente não sei o que me espera, tenho um personagem buliçoso nas mãos e que me escapa a cada instante querendo que eu o recupere.
(...) Vejo agora que esqueci de dizer que por enquanto nada leio para não contaminar com luxos a simplicidade de minha linguagem.
Clarice Lispector. A hora da estrela ( Fragmentos)
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