domingo, 2 de novembro de 2014

Entremeados

Achas que é cedo?
Olhastes as horas, os minutos, os segundos?
Acreditas haver tempo? Não, eu não sei.
A vida não é demasiadamente confusa para racionalizar?
Sinta, podes apenas sentir?
Não, não me perguntes, eu nada sei sobre você.

Queres tempo? O tempo não é meu, não é nosso.. O tempo não existe!
 - E eu continuo a escutar: Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac...

Vens..
Vais..
Adeus..
Ola!
...Confuso, confuso..

Não
Sim. Sim?
Talvez.
Obrigado..
O que?
-E o tempo continua a contar,: Tic-tac,tic-tac, tic-tac, tic-tac...

Se fores fechar a porta, feche-a, bata-a, tranque-a. Não, não com violência. Sim?
Se porventura quiseres deixa-la aberta, coloque entre suas conexões algo que não a deixe fechar, mas não por muito tempo, há de se empenar.. Portas são feitas para abrir ou fechar caminhos, impedir ou facilitar passagens.. É, às vezes o não perturbe é usual, às vezes...

Passando ou não, passarás. Escolhendo ou não, escolherás.
Passará, isso passará...
Tudo passará..

Apenas rastros de flores e sorrisos deixo-te com o melhor de mim, ó alma amiga e desejável!
Sejas, vivas, ande por onde quiseres; certamente o caminho não será o mesmo, porém nos encontraremos onde o destino cruzará apontando a chegada, o que para a todos é bem similar, a saber: Ao amor!

Despeço-me de ti, existência interrompida, apenas para sorrir.

Sou grata!




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Helianto

Flores lilases, cheiro de sândalo e o jardim continua a florir...
Em meio aos galhos secos, continua a florir..
Uma gota de orvalho aqui, outra lágrima ali;
E o jardim continua a florir..

Voa, voa..
Voa com o vento, voa com o vazio..
Um ciclo se finda com a morte de um lírio, mas renasce com um girassol. Sol?
Ao toque dos primeiros raios se vai a noite embaraçada e obstrusa e com o dia alvo escorre da minha face a lembrança de morrer a morte de todas as noites e viver o findar de todos os ciclos.

De que importa a morte? E a vida, de que importa?
De nada isso importa. Sou apenas aquele velho lírio que vive hoje no corpo de um girassol.




domingo, 31 de agosto de 2014

Quimera

Volte,
sinto tua falta..
Volte,
a cada hora distante seu lugar se torna mais frio.
Volte,
preciso de ti para continuar a jornada..
Oh minh'alma, volte.. Já não cansaste de passear? Preciso de ti para levantar.. Volte!

Com tantos apegos à espreita, no entanto tudo do que realmente preciso é de ti; meu arquivo, minha coleção de peculiaridades, sentimentos, vergonhas, risadas.. Eu, eu estou aí, aqui, acolá - não importa! Se me encho de ti, nunca estarei eremítico.. Quanto mais me encho de ti, mais dos outros obtenho; é singular e uno, torna-se inexprimível apenas Ser.

Ainda bem que posso ser eu..
Ainda bem que posso me perder, ainda bem..


Volte, mas só volte quando quiser..